Open Call, Wide Space: Primeiras Impressões


IMPRINT © Ana Brotas, Karina Sletten e Viviana Cárdenas

Antes de chegarmos à Mina de São Domingos, cada uma de nós criou alguns exercícios criativos para desenvolvermos durante a residência artística. Os exercícios poderiam ser colagens e mistura de palavras de forma a criar associações, tirar notas de campo, gravar sons ou desenhar.


As seguintes impressões poéticas do local são o resultado de um exercício coletivo de escrita. Inspiradas por uma técnica chamada «cadáver esquisito», cada uma de nós escreveu uma história com um máximo de 50 palavras. Após essa etapa, em conjunto reorganizámos as frases, o que resultou num texto final baseado nas três diferentes narrativas.


 

Emergimos da sombra para o ar quente, observando o que ficou de um piso subterrâneo e aquilo que parecem ser os restos de uma estação de comboios.


Terminada a extração,

as entranhas da terra ficaram expostas.

Fragmentos de peças de metal,

relíquias antigas do lugar.


Orebody


Se a mina pudesse falar, o que diria?


UPor cima, no céu limpo, o sol vermelho arde.

Pedaços de terra vermelha cobrem as estradas.

Camadas de sedimentos ladeiam as águas vermelhas.

Tornando as pedras suaves, como laranjas.


Todos os dias, do meio-dia ao pôr do sol, arfamos como cães, juntamente com a mina abandonada.

Os círculos de chuva ácida engolem o solo cor de cobre e criam a ilusão de um pôr do sol a ferver por baixo da terra.


Orebody


Por cima, no céu limpo, o sol vermelho arde.

Telhas vermelhas cobrem o topo das casas.

Os pores do sol, feitos de uma intensa luz vermelha, prenunciam os mais quentes dias, ainda por vir.

Alterando a nossa pele, de pálida para rosa.


Debaixo de todo este calor,

uma colónia de formigas titila as raízes da aldeia.


Ana Brotas, Karina Sletten e Viviana Cárdenas

(Tradução Livre do poema original em Inglês por Ana Brotas e João Romãozinho)


 



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EXTRACT


REPOSITORY

LANDSCAPE 2

© Ana Brotas, Karina Sletten e Viviana Cárdenas